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FRONTEIRAS: OBSESSÃO, OBSTÁCULO, PORTA ABERTA?
Albuquerque, Novo México
27 de abril a 1º de maio de 2007
As cercadas, patrulhadas, fechadas, violadas e frequentemente cruzadas fronteiras não são somente para dar publicidade aos limites que separam os Estado Unidos - México, onde milhares de trilhas para caminhar e estradas ilegais transportam milhares de pessoas por dia, cruzando áreas desabitadas nos desertos à sudoeste, que podem ser tão letais para os humanos que estimados 4.000 migrantes morreram na tentativa de cruzá-las na década passada. Outras regiões de fronteira em nosso hemisfério têm se tornado foco de atenção devido a obsessão dos governos com a globalização, terrorismo e segurança. Os migrantes sul-americanos aportam seus barcos ao longo das praias da Guatemala e México. Os migrantes centro-americanos cruzam as fronteiras por terra e rios da Guatemala e Belize para adentrar no México e encontrar a rígida justiça das autoridades criminais e da imigração mexicana. A Tríplice Fronteira Brasil-Paraguai-Argentina tem sido descrita como o paraíso dos contrabandistas e o céu dos terroristas do Oriente Médio. As fronteiras andinas entre Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia atravessam florestas úmidas e montanhas e têm, por muitas décadas, produzido colheitas de dinheiro que fornecem o massivamente lucrativo comércio global de cocaína e outras drogas ilegais. Sem o cultivo das drogas muitos fazendeiros, nessas regiões, não teriam meios de sobrevivência na atual economia global e se juntariam mais às fileiras de migrantes. Aventurando-se a cruzar o Atlântico, encontraremos massas migrantes acompanhadas por medos e obstáculos similares entre a Península Ibérica e o Norte da África.
Esses são todos os lugares onde ricos e pobres se encontram em um limite geopolítico, onde pessoas podem mover-se para trabalhar e sobreviver, onde empresários se superam e exploram as necessidades humanas e desejam gerar desmedidos lucros ao mobilizar contrabando de todos os tipos, incluindo drogas e pessoas. Esses são também os lugares onde os estados empregam herbicidas, sensores, “lasers”, aviões não-tripulados, forças armadas e segurança privada em suas tentativas de controlar os limites, para facilitar o comércio legítimo de bens e serviços e para o tráfico ilícito do contrabando de gente e pessoas, que têm sido considerado ilícito. Como versões sombrias desse humano drama real, representado nas linhas fronteiriças, forças ideológicas e políticas agem dentro dos estados e internacionalmente para influenciar idéias, opinião e discurso sobre comércio, fronteiras, terror, ameaças, segurança e os perigos e benefícios da globalização.
Como acadêmicos e seres humanos, temos responsabilidade para entender as fronteiras entre nossas nações e dentro do nosso hemisfério e nosso mundo. Integração econômica, globalização, comércio livre, guerra global do terror, segurança local e segurança nacional – todas dessas políticas e palavras sussurradas impactam o que acontece em nossas fronteiras – as fronteiras geográficas e geopolíticas, bem como as metafóricas. Como bibliotecários e acadêmicos da América Latina temos a responsabilidade de encontrar, coletar, preservar e fazer acessíveis os estudos de pesquisa, os documentos governamentais, a literatura, música, teatro, filmes, arte – todas as histórias geradas por aqueles que devem confrontar e viver com os desafios e realizações do desenvolvimento econômico, as inseguranças nacionais e humanas, a destruição ambiental, os desastres naturais, as massivas migrações, crimes e violentos conflitos que ocorrem nas regiões fronteiriças. No SALALM LII (52), de 2007, a ser realizado em Albuquerque, Novo México, USA, estão convidados a comparecer para analisar os eventos históricos, políticos, econômicos, geográficos e metafóricos do significado das fronteiras. Gostaríamos também de explorar o desenvolvimento em bibliotecas e tecnologias de informação aplicadas para compartilhar as informações acadêmicas e políticas entre nossos países e instituições. Como podem os depositários institucionais de recursos digitalizados ajudar a aliviar as disparidades entre nações e regiões no hemisfério? Como estão sendo usadas as tecnologias informacionais por entidades estatais para patrulhar e controlar fronteiras – bens, serviços e pessoas – e para combater o terrorismo? Planeja-se convidar jornalistas, pesquisadores acadêmicos, bibliotecários, arquivistas e artistas que estão criando, escrevendo e preservando a história de nosso tempo e lugar. Estão convidados os membros do SALALM para explorar os recursos de nossas bibliotecas e repositórios e compartilhar com outros como estas coleções contribuem para entender as fronteiras nas Américas.
- Molly Molloy, Las Cruces, Novo México, 19 de março de 2006.
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